A MORTE MORA AO LADO
Em tempos de pandemia e de isolamento social, percebi que virei uma daquelas vizinhas fofoqueiras. Que sabem de tudo da vida dos outros, escuta todos os ruídos da rua desde a transloucada catadora de latas berrando com sua neta às 6 horas da manhã, ao carteiro no seu horário habitual, as entregas de mercadorias, ao entra e sai de pessoas . A qualquer movimentação seja de uma mosca, um beija-flor ou pássaro já estou com os ouvidos em riste a espreita de um acontecimento. Noite dessas varando a madrugada da insônia escuto, em voz baixa, quase um sussurro falando no celular. De repente uma agitação momentânea, a batida do portão. Fui espiar claro! Uma moça abria e fechava o barulhento espaldar de ferro olhando para cima e para baixo numa ansiedade característica das esperas. Eis que um carro para, salta um rapaz apressado que corre para os seus braços, talvez o seu namorado. Subitamente um choro compulsivo, ensurdecedor, vindo do fundo d’alm...