O ALMOÇO
Sentada na varanda da solidão, Elvira observava e sentia a hora da brisa da tarde. O asilo era silencioso àquela hora, com vozes baixas e passos lentos atrás das janelas. A cadeira de rodas onde se recostava rangia como um sussurro antigo. Ninguém a visitava. O filho morava no exterior - Nova Zelândia ou Noruega, ela já não lembrava mais com exatidão. Pagava todas as despesas, conforme o staff local informava e às vezes mandava uma mensagem curta e impessoal do tipo “estou ocupado, quando der telefono”, coisa que nunca aconteceu. Visitas? Nunca. Na memória de Elvira, o tempo se dobrava como uma toalha de mesa velha manchada de lembranças. Ela revivia aquele dia conforme o vento leve e agradável soprava e o cheiro da mata a inebriava. Preparara um almoço para alguém especial, convidado do marido, pequeno agricultor, humilde e rude. O homem que viera cuidar dos negócios da região, designado pelo governo, a fim de aconse...