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Mostrando postagens de fevereiro, 2022

ALÉM MAR.

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              Caminho pela praia. A água está morna e os primeiros sinais de noite já despontam. Sinto uma estranha vontade de penetrar neste oceano misterioso e tão sinistro. Dispo-me e mergulho sem pudor. O sal penetra por todas as minhas entranhas e o sabor salgado me queima toda a boca. È uma sensação diferente e ao mesmo tempo assustadora. Quero penetrar mais, mais há um leve receio que impede que eu nade. Então mergulho fundo e vou direto á busca de alguma coisa que eu nem mesmo sei o que é. Quando volto à tona estou perdida e fraca. A correnteza me arrasta com fúria como se estivesse me castigando. Não tenho forças para lutar e decido deixar-me levar por ela. Aos poucos tudo vai se serenizando e quando percebo, morta de cansaço, estou à beira da praia. Durmo um sono profundo, imaginando que tudo não passou de um pesadelo. Pego minhas coisas e rumo para outro mar. Até que eu encontre um parecido com este e teste sua infinidade. È assim que e...

QUASE ENTA!

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— Estou perto dos “enta” – murmurei melancolicamente. — O que é “enta”, mãe? –indagou meu filho questionador. — Senta aqui que eu vou te explicar. “Enta” é estar chegando naquela idade, perto dos quarenta, cinquenta, oitenta e por aí vai, entendeu? — Ah, quer dizer que no meu próximo aniversário vou fazer dez-enta mais um? — Não, meu filho! Ai, meu Deus, dê-me paciência. Só em números que terminem em “enta”, veja bem 60, 70,80, 90... Compreendeu? — Sei, agora entendi. Mas, o que é que isso tem de mais? — O QUE É QUE ISSO TEM DEMAIS?...Você não entende mesmo! Também já nasceu macho, homem não entende dessas coisas de mulher. — Você está ficando velha, é isso mãe? — VELHA É A SUA MÃE!...Seu moleque!...Mais respeito comigo! Veja com quem fala! — Não estou entendendo, porque você está tão nervosa? — Eu, nervosa? Absolutamente, somente tenho vontade de estrangular um hoje! — Quem? Papai? Ele vai morrer? — Cala a boca, garoto! Você já me encheu o saco! — Mas foi v...

AS PALAVRAS E EU...

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     Gosto do poder das palavras. Tenho um apreço sem igual por elas. Ao mesmo tempo podemos experimentar sentimentos e sensações diferentes conforme sua pontuação, colocação ou expressão gramatical. Podem ter sentido figurado ou conotativo, literal ou denotativo e a ordem das mesmas sempre altera o produto, assim como o rebuscamento lírico ou a forma coloquial propriamente dita.      Vejam esse exemplo que escrevi em 1979: “Resolvi garatujar vocábulos numa substância feita de fibras vegetais reduzidas a massa e disposta em folhas, para obter uma situação crítica da patuléia que me cerca. Existe testemunho de asnáticos desde que surgiram os paraestratos. Agora a locução está mais difícil que a palavra propriamente dita.” Poderia ter escrito simplesmente assim: “Resolvi rabiscar palavras num papel para obter uma situação crítica do povo que me cerca. Existe testemunho de tolos desde que surgiram os estratos sociais. Agora a linguagem está mais difícil...