CARTA PARA A MORTE
Rio de Janeiro, 24 de outubro de 2022. Querida amiga morte, Em primeiro lugar gostaria de dizer que hoje para mim você é uma querida, pois anteriormente fugia de você como o diabo da cruz, e foi preciso dez anos de processo terapêutico para enfrentar a sua presença e considerá-la como uma ordem natural da existência humana. Em segundo lugar, também pelos motivos expostos acima, passei a lhe considerar uma amiga, uma espécie de confidente com quem posso ir me abrindo e preparando o terreno para o nosso encontro ocasional. Sem, evidentemente, nenhum preconceito, nenhuma culpa ou qualquer vestígio de não estar devidamente pronta ou preparada, ou ainda, com receio de dever não cumprido. Espero que esse laço criado com tanto zelo e cuidado não se desfaça até a hora derradeira. Em terceiro lugar queria lhe dizer o quanto sou feliz e alcancei minha plenitude. Formei-me, casei, tive tres filhos maravilhosos, fiz diversas pós-graduações, trabalhei extenuosa...