NÃO CONFUNDA ALHOS COM BUGALHOS
O ditado é
de origem portuguesa. Confundir alhos com bugalhos nos remete a semelhança
entre o bulbo (planta do gênero Allium sativo) utilizada como tempero ou como
ingrediente medicinal e a galha, protoberância formada no tronco de alguma
árvores tais como carvalho, comum no continente europeu, também chamada de
galha. O alho todos nós conhecemos, mas o bugalho, poucos já viram, este tambem
tem sua serventia que não é a mesma do alho, apenas uma semelhança na sua
aparencia. Enraizado na esfera do senso comum, patrimônio da cultura popular da
língua portuguesa, nos leva para o pensamento – não confunda alguma coisa com
outra em função de uma semelhança superficial, discernir entre o que pode ser e
o que não pode.
Deparo-me e reflito sobre dois
aspectos correlatos com relação ao Rock in Rio, realizado especificadamente no
Rio de janeiro e em Lisboa. Parecem iguais, mas são bem diferentes. Começando
pelos dias de festival, no Rio são sete e em Lisboa apenas quatro. O local do
evento em Lisboa é num parque com gramados, colinas que formam verdadeiros
anfiteatros naturais, arvores, natureza, sombra e água fresca, contando com
bebedouros espalhados pelo festival onde se é possível beber água de graça. Os
acessos aos parques são feitos pelo metrô, além de outras opções de transportes
públicos e aplicativos. O Rock in Rio Lisboa é,
praticamente, um festival diurno, mesmo que suas atividades sejam encerradas às
2h. Vale lembrar que, no verão europeu, muitos países contam com um anoitecer
mais tardio, e por isso mesmo, durante o festival a noite começa a cair
aproximadamente às 21h. Com isso, é possível curtir muito mais shows à luz do
dia, além de aproveitar um pôr do sol inesquecível e privilegiado. Além das
comidas feitas em parceria com o Mercado da Ribeira, assinadas por chefs, a
oferta de bebidas no festival lusitano também é bem mais abrangente,
contemplando de cervejas artesanais até opções de vinhos. Enquanto lá o
ingresso pode ser comprado a partir de 74 Euros no Brasil o custo é de R$
625,00, além do transporte, alimentação e outras despesas extras. Os
preços dentro dos espaços brasileiro são inflacionados sem o menor pudor,
podendo um balde de pipoca custar até R$ 70,00. Filas gigantescas para utilizar
os banheiros, nenhum lugar para sentar, intempéries tropicais constantes
obrigando o fã a passar muitas horas na chuva admirando seu ídolo preferido,
sem contar o retorno pra casa difícil, perigoso e especulativo contribuem para
a culminância de um inferno astral brasileiro.
Comparações
fatalmente se tornarão inevitáveis ao longo dessa modesta exposição e também
daquelas que nem entraram no mérito da questão. Então prefiro deixar aqui para
os frequentadores assíduos do festival as suas melhores impressões, sentimentos
ou deslembranças já que não sou expert no assunto, nem em rock e nem habitué em
tal acontecimento. Meu negócio é samba! A idiossincrasia humana da discussão
interminável sobre preço e valor das coisas poderão ser motivos de outra
crônica. Ou seja, Rita, não confunda alhos com bugalhos, ora, pois!

Rita essa crônica está muito criativa e o final então nós faz fechar a comparação entre o Rock Rio no RJ ou em Lisboa. Fico com Lisboa. E o samba revela a autora. Parabéns
ResponderExcluirObrigada amiga!
ExcluirExcelente crônica, bem criativa a comparação e explicação! Eu nem conhecia os " bugalhos!"
ResponderExcluirQuanto ao Rock in Rio parece que tb estão mais " ecléticos Quanto aos estilos musicais e artistas! Parabéns
Obrigada mana!
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