CANÇÃO DO EXÍLIO*

 

Minha terra tinha palmeiras,

Onde cantava o Sabiá;

As aves, que aqui gorjeavam,

Não gorjeiam mais como lá.

Nosso céu sem mais estrelas, denso por fumaças.

Nossas várzeas, sem mais flores, sem biosfera.

Nossos bosques sem mais vida, sem habitat,

Nossa vida, mais carbono na atmosfera.

Em refletir – sozinho – à noite –

Mais tristeza encontro ao pensar;

Minha terra tinha palmeiras;

Sem desmatamentos, sem queimadas,

Onde cantava o Sabiá.

Minha terra tem tratores, correntões e motosserras.

Que tais não enxergava e nem imaginava eu de cá;

Em ponderar – sozinho – à noite –

Menos prazer e só tristeza encontro eu de lá;

Minha terra tinha palmeiras,

Biodiversidade e ecossistema.

Onde cantava o Sabiá.

Deus permita que eu não morra,

Sem que as coisas mudem por lá;

Sem agruras políticas, descaso e abandono,

Que não encontro por cá;

Sem a fé, a crença e a esperança,

Que ainda aviste as palmeiras,

Onde cantava o Sabiá…

 

*Paródia de “Canção do exílio”, Gonçalves Dias.




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